A CIÊNCIA POR TRÁS DE CADA FÓRMULA: COMO NASCE UM ALIMENTO PET DE VERDADE
8 de julho de 2026

No universo da nutrição de cães e gatos, existe uma diferença concreta entre um produto desenvolvido com rigor científico e um produto montado para atender a uma tendência de mercado. No segundo episódio especial do Pet Food Podcast gravado no FENAGRA 2026, com patrocínio da Kemin, a host Kellen Oliveira recebe a Dra. Juliana Jeremias, Diretora Técnica de P&D da PremieRpet e uma das principais referências em nutrição clínica de cães e gatos no Brasil.
AS CINCO ETAPAS DO DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO
Segundo a Dra. Juliana, todo alimento desenvolvido com base em ciência percorre cinco etapas obrigatórias: (1) revisão exaustiva da literatura científica nacional e internacional; (2) formulação alinhada às exigências nutricionais da categoria; (3) engenharia de processo no chão de fábrica, ajustando extrusão, esterilização e parâmetros físico-químicos; (4) análises laboratoriais para verificação dos nutrientes; e (5) avaliações in vivo no centro próprio da PremieRpet, que conta com mais de 90 animais entre cães e gatos para testes de palatabilidade, digestibilidade, super saturação urinária e respostas metabólicas.
FORMULAÇÃO POR CATEGORIA: O DESAFIO DO ALIMENTO ÚMIDO FELINO
Um dos pontos mais técnicos da conversa foi o desafio da palatabilidade felina. Ao contrário do senso comum, o gato não ama qualquer alimento úmido — ele responde primariamente à textura. Para o desenvolvimento de um único produto úmido em patê, a equipe da PremieRpet testou mais de dez texturas diferentes até encontrar a combinação ideal. Em nutrição clínica felina, esse refinamento é determinante: a aceitação do alimento define se o paciente vai ingerir nutrientes suficientes para evitar perda de massa magra — fator de pior prognóstico em DRC.
NUTRIÇÃO CLÍNICA EM DOENÇA RENAL CRÔNICA FELINA
A Dra. Juliana detalhou ainda a abordagem nutricional na DRC felina, que tem estadiamento de I a IV. Nos estágios iniciais (I e II), a recomendação não é restringir proteína de forma severa, mas trabalhar com proteína de altíssima digestibilidade, fósforo controlado e aporte expressivo de EPA e DHA. Já em estágios avançados (III e IV), a restrição se intensifica, com fósforo levado a valores abaixo da necessidade basal. A dieta correta não cura a doença — ela é progressiva — mas retarda significativamente sua progressão.
RAÇA-ESPECÍFICA: PARTICULARIDADES GENÉTICAS APLICADAS À NUTRIÇÃO
A formulação raça-específica também foi discutida. O princípio é simples: cães e gatos de raça pura mantêm as exigências nutricionais básicas da espécie, mas apresentam particularidades genéticas que demandam aporte adicional de funcionalidade. O exemplo citado foi o Shih Tzu, com maior sensibilidade gastrointestinal, e o Persa, com necessidades específicas no manejo da palatabilidade e tamanho do grão.
O VALOR DO INVESTIMENTO EM CIÊNCIA
Para encerrar, a Dra. Juliana sintetizou a vantagem competitiva de desenvolver produtos baseados em ciência: exige tempo, investimento alto e disciplina metodológica, mas garante eficácia comprovada, segurança e ausência de retrabalho após o lançamento. É, segundo ela, o que separa um produto sério de um produto de prateleira.
