Avicultura

    A nova era da produção de peru de corte no Brasil: tecnologia, desafios e oportunidades

    23 de dezembro de 2025

    Por: Wellinton Molinetti, Founder e docente PPG Educação A produção avícola brasileira é reconhecida mundialmente pela eficiência, escala e elevado padrão sanitário. Dentro desse contexto, a produção de peru de corte passa por um momento de transformação importante, marcado pela retomada de investimentos, pela modernização dos sistemas produtivos e pelo fortalecimento das práticas de biosseguridade. […]

    A nova era da produção de peru de corte no Brasil: tecnologia, desafios e oportunidades

    Por: Wellinton Molinetti, Founder e docente PPG Educação

    A produção avícola brasileira é reconhecida mundialmente pela eficiência, escala e elevado padrão sanitário. Dentro desse contexto, a produção de peru de corte passa por um momento de transformação importante, marcado pela retomada de investimentos, pela modernização dos sistemas produtivos e pelo fortalecimento das práticas de biosseguridade.

    Essa nova fase representa não apenas uma evolução técnica, mas também uma oportunidade estratégica para produtores, agroindústrias e médicos-veterinários que atuam — ou desejam atuar — nesse segmento.


    O cenário atual da produção de peru

    Ao longo dos últimos anos, a cadeia produtiva do peru passou por ajustes estruturais relevantes. Após um período de retração, impulsionado por mudanças no mercado internacional, o setor iniciou um processo de reorganização baseado em tecnologia, eficiência produtiva e segurança sanitária.

    Hoje, o foco está na construção de sistemas mais robustos, capazes de atender às exigências do mercado interno e externo, garantindo qualidade do produto final, bem-estar animal e sustentabilidade da produção.


    Sistema de produção: semelhanças com o frango, mas com particularidades

    Embora compartilhe algumas características com a produção de frangos de corte, o sistema de criação de perus exige adequações específicas , principalmente devido ao comportamento, à anatomia e ao maior tempo de ciclo produtivo dessas aves.

    A produção ocorre de forma verticalizada, no modelo de integração entre agroindústria e produtor, e é dividida em duas fases fundamentais :

    🔹 Fase iniciadora

    • Alojamento logo após a eclosão
    • Controle rigoroso de temperatura, ventilação e qualidade do ar
    • Reforço intenso das práticas de biosseguridade
    • Permanência média de aproximadamente 30 dias

    🔹 Fase terminadora

    • Transferência das aves quando atingem cerca de 800 g a 1 kg
    • Permanência variável conforme sexo e mercado de destino
    • Ciclos produtivos que podem ultrapassar 140 dias

    Essa divisão é essencial para garantir eficiência produtiva, bem-estar animal e controle sanitário ao longo de todo o processo.


    Estrutura dos aviários: tecnologia a serviço da eficiência

    Os sistemas modernos de produção de perus demandam alto nível de tecnificação. Os aviários são projetados com foco em ambiência controlada e biosseguridade, geralmente operando em sistema de pressão negativa.

    Entre os principais recursos adotados estão:

    • Controladores automáticos de ambiente
    • Sistemas de ventilação e exaustão
    • Placas evaporativas e sistemas de nebulização
    • Controle rigoroso de acesso de pessoas e veículos

    Essas medidas impactam diretamente a segurança alimentar, o bem-estar das aves e a estabilidade dos índices produtivos.


    Desempenho zootécnico e manejo

    Os indicadores zootécnicos da produção de perus apresentam desempenho robusto quando o manejo é ajustado às particularidades da espécie.

    Aspectos como:

    • Ganho de peso diário elevado
    • Conversão alimentar eficiente
    • Taxas controladas de mortalidade

    dependem diretamente do equilíbrio entre nutrição, ambiência, densidade de alojamento, disponibilidade de comedouros e bebedouros e programas de iluminação adequados.

    Além disso, o manejo deve considerar as diferenças entre machos e fêmeas, que apresentam tempos de permanência e pesos de abate distintos, exigindo decisões técnicas precisas ao longo do ciclo produtivo.


    Sanidade: um dos maiores desafios da cadeia

    A sanidade é um ponto crítico na produção de perus de corte. O ciclo produtivo mais longo torna essas aves mais suscetíveis a desafios sanitários, especialmente doenças respiratórias e enfermidades bacterianas.

    Por isso, a gestão sanitária precisa ser contínua e integrada, envolvendo:

    • Programas vacinais bem estruturados
    • Monitoramento frequente dos lotes
    • Ajustes constantes de ambiência
    • Avaliação sanitária ao longo de toda a cadeia

    A prevenção é o principal pilar para manter a produtividade e evitar perdas econômicas significativas.


    Perspectivas para o futuro da produção de perus

    A nova era da produção de peru de corte no Brasil está diretamente ligada à profissionalização do manejo , ao uso de tecnologia e à valorização da atuação técnica do médico-veterinário.

    Com investimentos adequados e gestão eficiente, o setor tem grande potencial para:

    • Melhorar o desempenho produtivo
    • Elevar os padrões de bem-estar animal
    • Atender mercados mais exigentes
    • Reforçar a competitividade da avicultura brasileira

    Nesse cenário, o conhecimento técnico atualizado e a capacidade de tomada de decisão baseada em dados se tornam diferenciais cada vez mais importantes para os profissionais da área.

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