FENAGRA: como uma revista de nicho se tornou a maior plataforma de negócios do pet food brasileiro
2 de julho de 2026
De oito estandes a 227, a feira que integrou feira e congresso e internacionalizou o setor de nutrição animal.

Quem acompanha o mercado de pet food no Brasil costuma olhar para a FENAGRA como uma vitrine: corredores cheios, estandes de dois andares, marcas disputando visibilidade. Mas reduzir a feira a uma exposição de produtos é perder o que ela realmente representa — o ponto onde indústria, ciência e negócio do setor de nutrição animal se encontram uma vez por ano. Entender como esse encontro foi construído, ao longo de 21 anos e 19 edições, é entender a própria maturação do setor pet no país.
De uma lacuna editorial a um ecossistema de mídia técnica
A história começa fora do pet. Tudo nasceu da experiência de seis anos em uma associação do mercado de metalurgia e fundição, cuidando de uma revista e da feira do setor. Foi ao conhecer profissionais de pet food que surgiu a identificação de uma lacuna concreta: não existia, no Brasil, nenhuma publicação dedicada exclusivamente ao segmento. Havia revistas de cães e gatos com uma coluna sobre alimentação — nunca uma revista inteira de pet food. Essa lacuna virou negócio. A Revista Pet Food nasceu há 21 anos e teve aceitação imediata já no primeiro ano. A partir dela, o portfólio cresceu acompanhando a cadeia: hoje são cinco títulos — Pet Food, Nutrição Animal, Óleos & Gorduras, Reciclagem Animal e Aqua Feed — todos ligados por uma mesma teia de fornecedores de máquinas, equipamentos e matéria-prima.
Oito estandes, 227 hoje: a curva de crescimento
A feira nasceu pequena. Em parceria com o congresso do CBNA — já consolidado na parte de palestras —, a operação da exposição foi assumida com apenas oito estandes (oito box) na primeira edição. No ano seguinte, saltou para 16; depois, para 30. Hoje, a FENAGRA reúne 227 estandes de máquinas, equipamentos, matérias-primas, insumos, laboratórios, prestadores de serviço e fabricantes de pet food. A 19ª edição é o retrato dessa trajetória — número que seria ainda maior não fossem os dois anos de pandemia sem feira. A curva de 8 → 16 → 30 → 227 não é apenas vaidade estatística: ela mede o adensamento da própria cadeia de fornecimento do pet food no Brasil.
O acerto de 2026: feira e congresso no mesmo espaço
O grande movimento estratégico de 2026 foi dobrar de tamanho — de um pavilhão do Anhembi para dois (Pavilhão 1 e Pavilhão 2) — e, sobretudo, trazer os congressos para dentro da feira. Historicamente, os congressos ficavam à parte; nesta edição, auditórios foram construídos dentro do espaço da feira, integrando congressista e visitante no mesmo fluxo. O formato foi aprovado por organizadoras e expositores e será mantido — com previsão de ampliar os auditórios e reincorporar congressos que ficaram de fora, como o de tecnologia e o de aquacultura. Para o setor, a leitura é direta: quem vai assistir à palestra técnica passa a circular pela feira, e quem visita a feira é exposto ao conteúdo científico. Conteúdo e negócio deixam de competir por agenda.
Internacionalização: por que a tradução trilíngue importa
Outro vetor de crescimento foi a internacionalização. Parcerias com eventos na Argentina, na Colômbia e no México fizeram o resultado aparecer nos corredores: expositores relatam fechamento de negócios com Equador, Chile e Colômbia, além de público de Estados Unidos, Ásia, África e Europa. Com presença expressiva da América Latina, os congressos passaram a ser simultâneos, com tradução em português, inglês e espanhol. A tradução trilíngue não é detalhe operacional — é a infraestrutura que transforma uma feira nacional em hub regional de negócios do pet food e da nutrição animal.
FENAGRA 27 e os estandes de esquina
A inovação anunciada para a próxima edição responde a uma demanda recorrente do expositor: visibilidade. Todo expositor quer esquina, porque ela dá exposição dos dois lados — mas é difícil desenhar isso no mapa sem criar os chamados box, ilhados no meio do corredor. Para a FENAGRA 27, a equipe estudou um layout em que todos os estandes tenham esquina. A comercialização já começou forte: aberta na véspera, a escolha de estandes para 2027 já passava de 80%, com expectativa de fechar o dia em 90%. As cotas de patrocínio abrem com um ano de antecedência e podem ser parceladas em 12 vezes, com modalidades que vão de cordão de crachá e banners a credenciamento, congressos e até espelhos de banheiro e estacionamento.
O que isso muda para quem atua no pet food
Para o fabricante, o zootecnista, o veterinário e o fornecedor de aditivos — público-alvo declarado da feira —, a mensagem prática é clara. A FENAGRA deixou de ser um evento ao qual se vai por obrigação e passou a ser o termômetro do setor: o sucesso é medido pelo pré-credenciamento aberto três meses antes, comparado ano a ano, e consolidado no número final de visitantes e expositores por país ao término do evento. Para o profissional, estar presente — fisicamente ou pela cobertura — é estar onde as decisões de compra, as parcerias internacionais e o conteúdo técnico do ano se concentram. Para a marca, é onde o investimento em estande se converte em retorno que se repete e cresce a cada edição, como observam os expositores que voltam ano após ano.
🐶🐱🎙️ Quer entender os bastidores de quem construiu a maior feira de pet food do Brasil? Daniel Geraldes, fundador da FENAGRA e da Editora Stilo, conta tudo neste episódio especial do Pet Food Podcast, ao lado da Dra. Kellen Oliveira. Ouça agora nas principais plataformas de áudio e vídeo.
