Como transformar dejetos suínos em oportunidade: energia, fertilizante e renda no campo
14 de junho de 2025
Com o avanço da suinocultura brasileira, surge também a necessidade de pensar a produção de forma mais inteligente, limpa e estratégica. Mais do que um problema ambiental, os dejetos suínos podem se tornar fonte de renda, energia e fertilização. Mas como isso é possível? E quais tecnologias já estão disponíveis? Oportunidades no cenário da produção […]

Com o avanço da suinocultura brasileira, surge também a necessidade de pensar a produção de forma mais inteligente, limpa e estratégica.
Mais do que um problema ambiental, os dejetos suínos podem se tornar fonte de renda, energia e fertilização. Mas como isso é possível? E quais tecnologias já estão disponíveis?
Oportunidades no cenário da produção suína
O crescimento da população mundial e a demanda crescente por proteína animal colocam o Brasil em posição de destaque: somos responsáveis por 24% da carne bovina e 11% da carne suína exportadas globalmente. Só a Região Sul do país responde por 70% da produção suína nacional.
Esse protagonismo exige responsabilidade ambiental, especialmente no tratamento dos resíduos gerados.
Dejetos: vilões ou aliados?
Ricos em nutrientes como nitrogênio, fósforo e potássio (NPK), os dejetos suínos são aplicados com frequência no solo. No entanto, o excesso pode saturar o solo, gerando:
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* Poluição de águas superficiais e subterrâneas; -
* Eutrofização (proliferação de algas e morte de peixes); -
* Emissão de gases de efeito estufa (como metano e amônia); -
* Riscos sanitários com a presença de patógenos.
É nesse ponto que a gestão eficiente se torna fundamental.
Soluções tecnológicas sustentáveis
1. Biodigestores (Digestão Anaeróbia)
Transformam o dejeto em biogás e biofertilizante. Os principais tipos são:
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* **BLC (Lagoa Coberta):** Simples e barato; -
* **CSTR:** Suporta sólidos e permite controle de temperatura; -
* **WASB:** Opera apenas com líquidos.
Limitação: não há remoção de nutrientes; exige planejamento para uso do biofertilizante.
2. Compostagem
Ideal para propriedades com menor escala. A compostagem:
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* Gera fertilizante sólido; -
* Elimina patógenos pelas altas temperaturas.
Demanda espaço e controle do processo (inclusive da liberação de amônia).
3. Separação Sólido-Líquido
Reduz o volume total e permite melhor gestão:
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* Parte líquida pode ser aplicada diretamente no solo; -
* Parte sólida, rica em fósforo, pode ser transportada e usada em outras regiões.
Economia circular na prática
O aproveitamento dos dejetos pode gerar diversos coprodutos:
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* **Biofertilizantes** ; -
* **Energia** via biogás; -
* **Alimentação animal** , como rações com fósforo recuperado.
Um exemplo de sucesso: fosfato de cálcio recuperado dos dejetos com eficiência de 93 a 94% como suplemento.
Produção familiar e realidades locais
Pequenos produtores devem priorizar soluções acessíveis, como a compostagem, adaptadas às suas realidades financeiras e estruturais.
Além disso, é fundamental conhecer a legislação ambiental local: normas variam entre estados e municípios, especialmente quanto à aplicação de resíduos em solos agrícolas.
Considerações finais
A principal lição da aula é clara: precisamos mudar nossa visão sobre os dejetos suínos. De passivo ambiental, eles podem se tornar ativos econômicos.
Quando tratados com responsabilidade e técnica, os resíduos da suinocultura:
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* Reduzem impactos ambientais; -
* Aumentam a rentabilidade das propriedades; -
* Contribuem para um sistema mais sustentável e eficiente.
Este conteúdo é um resumo da aula “Gestão Ambiental e Manejo de Dejetos I”, ministrada por Everton Rocha em 09/06/2025, como parte da pós-graduação em Produção de Suínos da PPG Educação.
