Suinocultura

    O Avanço da Biosseguridade na Suinocultura Brasileira: O Que Muda com a Nova Portaria SAPE nº 50/2025 em Santa Catarina

    22 de novembro de 2025

    A suinocultura brasileira vive um momento decisivo. À medida que o país consolida sua posição como um dos maiores produtores e exportadores de carne suína do mundo, cresce também a necessidade de fortalecer seus sistemas de biosseguridade — um pilar essencial para proteger a saúde animal, garantir competitividade e ampliar a abertura de novos mercados […]

    O Avanço da Biosseguridade na Suinocultura Brasileira: O Que Muda com a Nova Portaria SAPE nº 50/2025 em Santa Catarina

    A suinocultura brasileira vive um momento decisivo. À medida que o país consolida sua posição como um dos maiores produtores e exportadores de carne suína do mundo, cresce também a necessidade de fortalecer seus sistemas de biosseguridade — um pilar essencial para proteger a saúde animal, garantir competitividade e ampliar a abertura de novos mercados internacionais.

    Nos últimos anos, observamos que a avicultura avançou significativamente na implementação de protocolos sanitários rígidos, servindo como referência para outros segmentos. Agora, a suinocultura acelera para acompanhar esse mesmo nível de exigência.

    E Santa Catarina, líder nacional em produção de suínos, acaba de dar mais um passo importante nessa direção.


    Santa Catarina sai na frente com a Portaria SAPE nº 50/2025

    Entrou em vigor no estado a Portaria SAPE nº 50/2025 , que estabelece um conjunto de medidas mínimas obrigatórias de biosseguridade para granjas tecnificadas que produzem ou distribuem suínos destinados ao abate.

    O objetivo é claro:
    ➡️ fortalecer a prevenção ,
    ➡️ proteger o status sanitário de Santa Catarina
    ➡️ e manter a competitividade internacional do setor.

    Santa Catarina é reconhecida globalmente por seu nível de controle sanitário e por ser livre de doenças como a Peste Suína Clássica. Isso faz com que mudanças regulatórias nesse estado tenham impacto direto em toda a cadeia produtiva do país.


    Quais unidades produtivas serão impactadas?

    A portaria abrange todas as unidades tecnificadas, incluindo:

    • Granjas de ciclo completo
    • Unidades produtoras de leitões desmamados
    • Crechários
    • Unidades de terminação

    Ou seja, toda a cadeia de produção será diretamente impactada, fortalecendo um sistema integrado de prevenção.


    Principais exigências da nova portaria

    Entre os pontos mais importantes estão:

    1. Controle rigoroso de entrada

    • Monitoramento e identificação de visitantes
    • Barreiras sanitárias
    • Restrição de acesso não autorizado

    2. Higienização e desinfecção de veículos

    Veículos que transportam animais tornam-se um dos principais pontos críticos de contaminação. O novo padrão exige:

    • Lavagem e desinfecção completa
    • Registro das operações
    • Acompanhamento e verificação técnica

    3. Uso obrigatório de EPIs exclusivos

    • Roupas e calçados exclusivos dentro das unidades
    • Áreas adequadas para troca de vestimentas
    • Redução de contaminação cruzada

    4. Proteção de reservatórios de água

    A água passa a ter atenção especial:

    • Controle de acesso
    • Proteção contra vetores
    • Garantia de potabilidade e qualidade sanitária

    5. Manejo correto de resíduos e dejetos

    Um dos pilares da biosseguridade moderna:

    • Armazenamento adequado
    • Transporte seguro
    • Tratamento e destinação final correta

    6. Registro e rastreabilidade obrigatórios por 3 anos

    Todas as ações de biosseguridade devem ser registradas e arquivadas por no mínimo 36 meses, ficando disponíveis para auditorias e inspeções oficiais.


    Um reforço ao Programa Biosseguridade Animal SC

    A portaria também atua como complemento ao Programa Biosseguridade Animal SC , lançado recentemente pelo Governo do Estado. Juntas, as iniciativas criam uma base sólida para:

    • reduzir riscos de agentes patogênicos ,
    • elevar o padrão de produção ,
    • proteger o patrimônio sanitário ,
    • e atender às exigências dos mercados mais restritivos do mundo.

    O que isso representa para o profissional da suinocultura?

    O cenário deixa claro:
    dominar biosseguridade deixou de ser diferencial e passou a ser requisito básico de atuação.

    Veterinários, zootecnistas, técnicos e gestores precisam compreender profundamente:

    • protocolos sanitários,
    • barreiras de proteção,
    • gestão de riscos,
    • padrões de inspeção,
    • e legislações emergentes.

    A tendência é que outros estados adotem medidas semelhantes — e que auditorias internacionais se tornem cada vez mais criteriosas.

    A Portaria SAPE nº 50/2025 marca um novo capítulo para a suinocultura brasileira.
    Com padrões mais rígidos e alinhados às práticas globais, Santa Catarina reforça seu papel como referência em sanidade animal e impulsiona todo o setor a evoluir.

    A biosseguridade é, definitivamente, o caminho para garantir produtividade, sustentabilidade e competitividade internacional nos próximos anos.

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